Em “Uns braços”, Machado conta a história de um menino que vai morar na casa de um solicitador, para aprender o ofício, e lá se encanta com Severina, mulher do seu patrão, Borges. A narrativa gira em torno de tabus, e as reações dos personagens à eles.
A história gira em torno do envolvimento de um homem mais novo com uma mulher mais velha, o que era um tabu para a época (e ainda é, de certo modo), e além de conter adultério feminino, que ainda é muito “mais grave” do que o masculino.


Deus, para a felicidade do homem, inventou a fé e o amor. O Diabo, invejoso, fez o homem confundir fé com religião e amor com casamento.”
Machado de Assis

O menino, Inácio, sofre muito na casa de Borges, e encontra nos braços de Severina, que ficam a mostra, uma “salvação”, e passa a admirá-los. No outro lado, Severina é infeliz no casamento, seu marido é grosso, e o jogo psicológico começa quando ela percebe que Inácio é fissurado por ela, e ela também sente atração por ele.
O conto inteiro é sobre os tabus e as reações dos personagens a eles, como a insegurança de Inácio ao olhar para a mulher do patrão, a dúvida de Severina, quando Inácio se mostra uma alternativa ao casamento, casamento ao qual Machado se refere a todo momento, dizendo como era ruim, mas a ideia de trair o marido com um homem muito mais novo é inaceitável. As reações são humanas, os dois tem medo dos tabus, das ideias, e por isso, a única coisa que acontece entre Inácio e Severina é um beijo, enquanto ele esta dormindo.
O conto, assim como a maioria das narrativas de Machado, trata de questões humanas, usuais, já que os tabus são os mesmos, um homem pode se envolver com uma mulher mais nova, mas o contrário é mau visto, e o adultério masculino muitas vezes é reconhecido, aplaudido, enquanto o feminino é inaceitável. Machado tratou de tudo isso num conto que ainda é atual.